Coloque seu email:

Delivered by FeedBurner

Widget by Horta_web
Mostrando postagens com marcador Tantra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tantra. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tantra - O que é?

Dando continuidade a série de textos sobre tantra que farei, segue um texto de Otávio Leal. Que de forma simples nos trás uma boa idéia do que é o tantra, e principalmente do que não é.


Tantra – Você não sabe o que está perdendo.
“Você não estuda o Tantra, você pratica o Tantra” (Otávio Leal)

Antes de definir o Tantra, vou explicar o que não é e, quem sabe, quebrar crenças e paradigmas que você possa ter em relação ao mesmo. Muito que se ouve, fala e escreve sobre tantrismo são distorções da essência dessa filosofia. Em geral, as abordagens são parciais, errôneas e delirantes, restritas somente ao aspecto sexual.

Tantra não é somente sexo, não é kama-sutra, nem um místico prometendo orgasmo cósmico ou uma suposta ´´casa de massagens´´ ou grupos de sexo grupal. Não é tara ou desvios sexuais.Talvez somente algo em torno de 5% de todos esses textos e ensinamentos tantricos é de contexto sexual.

O tantrismo não é seita ou religião, apesar de estreitar as relações entre o homem e os aspectos sutis do universo. Não é magia, apesar de possuir rituais mágicos, e não possui nenhuma prática de sacramentos maléficos. Apesar de o mestre Osho sita-lo muito, este hindu Iluminado, no final de sua visita nesse Planeta, apontava muito mais na direção do Zen do que do Tantra.

Tantrik ou Tantra é uma filosofia antiguíssima, originaria da Índia e que busca o reconhecimento do Purusha(consciência, espírito) através de métodos práticos e técnicos, como posturas físicas (Asanas e Yoga), respirações, concentrações, cuidados com a alimentação e um universo de técnicas que se utiliza da vida como um todo de forma prazerosa e libertária. É a união de Purusha com Prakriti (matéria).

Como filosofia de vida prática e não especulativa não há energia gasta no ´´por quê´´ das coisas e sim no ´´como´´; um exemplo é em vez de se preocupar com o por quê do sofrimento, se busca o como ser feliz, daí o Tantra é conhecido como uma filosofia comportamental que o estimula a saber quem você é, como ser feliz, livre, energético e, dentro do possível, auto-suficiente. Encontramos várias linhas de yoga e várias escolas filosóficas comportamentais de origem tântrica.

O praticante de Tantra é chamado de sádhaka (homem) e sádhika(mulher) ou tântrico (ambos) e buscam um modo de vida que oferece a transcendência, a iluminação (realização), pela alegria, arte e celebração. Que sacraliza tudo da existência: homens, animais, natureza, dança, música, alimentos, perfumes, ciclos naturais, coisas simples do cotidiano e também o sexo, que tem como base a vitalidade do prazer, da brincadeira e do compartilhar. O sexo que leva ao carinho, à amorosidade, ao amor universal expresso no companheiro(a); o sexo que leva à integração homem (shiva) – mulher (shakti), yin (energia feminina) – yang (energia masculina); sol/lua; corpo/mente; pênis (lingam) – vagina (yoni), que leva ao samadhi (Iluminação).

O Tantra aponta na direção a tudo o que é natural no ser humano, o contato com a natureza, a descoberta do seu ser por meio do amor e do respeito ao próximo, a exaltação do companheiro em nivel de Deus/Deusa, tudo com a maior naturalidade e desprendimento sem tabus ou regras.

A palavra Tantra tem a sua magia, ela instiga a imaginação do leitor, porque permanece guardada num arquivo de memória de milênios, assim é o mantram (som metafísico, palavra de poder) a qual muitas pessoas, ao ouvir a sua pronuncia sentem vibrar seu inconsciente coletivo, despertando o interesse por esse assunto. O termo Tantra vem do sânscrito, é uma palavra do gênero masculino e significa ´´ teia´´, crescer, desenvolver(prefixo Tan), salvação, instrumento (sufixo Tra), origina-se dos termos tanoti (elevação, expansão) e trayati(consciência). É aquilo que expande a consciência.

Não é possível determinar a época exata em que a palavra Tantra começou a ser usada ou narrar a sua precisão com que se descreve a trajetória de outras culturas. Isso porque os caminhos e práticas tantricas são transmitidos oralmente, de mestre para discípulo, Gupta Vidya (conhecimentos secretos) transmitido pelo sistema de Paranpará que significa ´´um após o outro´´. Além disso, sempre existiu uma tradição em se manter sigilo sobre alguns ensinamentos, passando-os somente a alguns discípulos realmente interessados, provavelmente, para que eles não caiam em mãos profanas que possam desvirtuá-los. É o que o iluminado Jesus ensinava: ´´ Não de perolas aos porcos´´.

Fonte:Texto extraído do livro Maithuna – Sexo Tântrico
         (Otávio Leal – Dhyan Prem)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tantra - Alguns Conceitos Básicos

Basicamente, o tantra possui uma filosofia de amor. Amor ao semelhante, à natureza, à vida, ao sexo, ao despertar. O ato sexual mágico dentro do tantra é apenas UMA das manifestações desta filosofia maravilhosa (o tantra é uma maneira de se viver, que pode incluir vegetarianismo, cultivo ao corpo, mente e espírito, respeito pelas coisas vivas, paz, harmonia com o cósmico, à devoção ao feminino, ao estudo da poesia, música, etc.). O grande problema disso para as “autoridades dominantes” é que um homem tântrico está mais preocupado em tratar bem sua(s) amante(s), apreciar um bom vinho ou fazer uma boa massagem em uma amiga do que pegar em armas e ir até um país distante chacinar seus inimigos [que para ele na verdade nada fizeram, logo não são seus inimigos] para que as  classes dominantes adquiram mais poder… para isso, precisam de soldados cruéis, sem compaixão e sem sentimentos (“certo, seu zero-dois?”). Então, quando os Arianos tomaram a Índia, lá por 2.000 AC, eles tornaram esta religião proibida (de onde veio o significado de “libertação da escuridão” pois o movimento acabou caindo na escuridão/clandestinidade).

O principal ritual de sexo tântrico é chamado de Maithuna. Neste ponto, existem 3 vertentes do Kaula Tantra: o Caminho da mão esquerda, que prega a realização destes rituais com estranhos, para atingir um máximo de erotização, voltado para o prazer e que deu origem a livros e textos como o Kama-Sutra, o Caminho da mão direita, que prega que o Maithuna deve ser feito apenas com sua companheira, o que gera uma intimidade maior e uma energia muito maior no ritual e finalmente o Caminho do Meio (Kaula Tantra Puro) que prega um meio termo: rituais sexuais para serem desenvolvidos com uma parceira, mas não excluindo a participação de amigas ou conhecidas no processo.

Durante o ato sexual, o homem assume o papel de Shiva e a mulher de Shakti. O papel da mulher é sempre o de uma deusa a ser venerada e existe todo um ritual antes do sexo: ela depila todo o corpo (pode ser feito no dia anterior), prepara um banho com ervas e perfumes e se arruma ritualisticamente, o homem prepara os incensos, música e o ambiente. Uma relação de Maithuna demora no mínimo 4 horas, mas há relatos de rituais que chegam a demorar 21 dias. O Maithuna é programado segundo o ciclo dos signos e as fases da lua (na lua cheia Shakti tem mais potência sexual e na lua crescente Shiva está mais viril. Na lua nova, ambos estão relativamente sexuais e na minguante a energia pode não estar muito propícia). A preocupação com os exercícios para desenvolver os chakras, a vestimentas (nada sintético ou que bloqueie os chakras), a alimentação (nem pense em fazer um Maithuna com um bicho morto no seu estômago hehehe), a meditação e concentração, os incensos… TUDO é importante neste tipo de ritual.

Thenebris Anáhata Shiva

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SHIVA – OM NAMAH SHIVAYA



O Mantra OM NAMAH SHIVAYA é um mantra de evocação a Shiva. A tradução literal do mantra seria "Eu Saúdo o Senhor Shiva". Shiva é, segundo a tradição hindu, o terceiro aspecto da trindade. Ele possui vários epítetos (atributos), sendo os mais conhecidos "transformador, o de doce efulgência, o de três olhos" (tryambake)... No entanto, a palavra Shiva é literalmente "o Benevolente". Shiva é a Consciência Pura, o fundamento original do Ser. No yoga e nas correntes védicas ele é chamado de Brahman. Brahman e Shiva representam o mesmo princípio: O Todo, o Absoluto, o Fundamento Original do Ser. Sendo assim, Shiva é normalmente retratado em postura yogue, com rosto sereno, plácido e sempre em paz. Sendo O TODO, nada está fora dele, e portanto, ele é sempre o mesmo, igual em todas as circunstâncias.

Mas a maioria das pessoas associa Shiva a movimento, pois está associado a transformação, mudança. E como acabamos de ver, ele é pura quietude, visto que SEMPRE É O MESMO. Se é assim, por que associar ele a transformação, ou até mesmo à destruição? Parece que temos um paradoxo ai, não é mesmo?

Mas isso é só aparente. 

Sendo Shiva a Consciência Pura, o Fundamento do Ser, quando evocado ou "sintonizado", tende a iniciar o "movimento de ajuste de foco" em nós mesmos. Assim, a "energia" de Shiva tem a propriedade de nos mostrar a Realidade Última, ou seja, a nossa própria natureza essencial. Shiva é o destruidor... das ilusões! 

Quando isso ocorre, as dualidades da realidade aparente em que vivemos tendem "a se chocar", causando uma sensação aparente de desordem ou mudança. 

Na verdade, as mudanças ou "viradas de cabeça" que a energia de Shiva provoca não é nada mais do que um "puxão para a Realidade". E quando falo realidade, não falo da realidade ordinária, do dia-a-dia. Falo da Realidade da Consciência como sendo uma e tudo. Falo de um puxão ou um fluxo de energia que se cria no sentido de "movimentar as dualidades em nossa cara" e fazer com que surja a possibilidade de perceber o REAL, o essencial de tudo e em tudo. 

Como nossa realidade aparente está fundamentada no ego e na mente e seus mecanismos, nas carências emocionais, quando "chamamos" a Consciência/Realidade (Shiva), tudo parece "tremer", se desestabilizar. Mas, na verdade, o que ocorre é que iniciamos a busca pela quietude, ou, como Patanjali diz em seu Yoga Sutra, "se perceber na sua real natureza". Obviamente, nossa real natureza é conflitante com essa realidade aparente. Por tudo o que foi explicado, fica fácil entender o porque de associar Shiva a transformação.

Mas vale sempre lembrar: Shiva não faz nada! Ele é sempre o mesmo, quieto, perene e sempre benevolente. Quem se movimenta, quem "treme" é aquilo que chamamos de MENTE que, nas tradições do yoga, da vedanta e do tantra, é composta pelo Ego, Buddhi (mente sutil), Chitta (memórias) e Manas (mente densa). Mas isso é outra estória... :) 

Concluindo: O mantra Om namah Shivaya é algo como um chamamento pela realidade:

OM é o princípio da universalidade, do vir a ser, ou seja, é um gatilho.NAMAH é saúdo, felicito.SHIVAYA é Consciência, Fundamento do Ser.
OM NAMAH SHIVAYA é como um grito de "EU QUERO VER/VIVER A REALIDADE!!!!!" 

No entanto, essa Realidade a mente não alcança. OM NAMAH SHIVAYA é, pode-se dizer, o bija, ou a semente do Mahamrityunjaya Mantra:

Om Tryambakam Yajamahe
Sugandhim Pushtivardhanam
Urvarukamiva Bandhanan
Mrityor Mukshiya Maamritat 

Eu medito no Senhor de Três Olhos
O possuidor da doce efulgência que nutre todo o universo
Que ele possa arrancar meu ego
Da mesma forma que um agricultor arranca o pepino de sua árvore

Fontes: Youtube / http://www.yogashala.org.br/
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.